COVID-19 e os impactos na educação em Itinga do Maranhão
- itinganot1

- 11 de abr. de 2020
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Atualizado: 15 de abr. de 2020
Escolas procuram saídas para que os alunos não sejam prejudicados.

As aulas escolares estão suspensas no Estado do Maranhão desde o dia 17 de Março, por meio do decreto de n° 35713, publicado pelo governador do Maranhão Flávio Dino. O mandato determina que as aulas nas escolas da rede pública, estadual, municipal e privada da educação básica, assim como nas instituições de Ensino Superior, pública e privada, continuem suspensas até o próximo dia 26 de abril.
A rede Municipal de Educação de Itinga do Maranhão, adotou como medida, a partir do decreto municipal 035, publicado no 31 de Março, a antecipação das férias de julho na cidade, passando, assim, do período de 03 de abril a 04 de maio. A medida tem como objetivo reforçar a estratégia de isolamento e distanciamento social, como forma de evitar a rápida disseminação do vírus no município.
Segundo a Secretaria Municipal de Educação, mesmo com a antecipação do recesso escolar, os alunos não sofrerão prejuízos quanto ao andamento das atividades curriculares.
Apesar da medida de antecipação das aulas na rede de ensino do município ser um caminho necessário para o cumprimento da obrigatoriedade dos dias letivos, para alguns professores, a medida tomada deixa ressalvas, como é o caso da professora Eleilde Alves. “Se a gente observar o lado mais humano da atividade docente, vai ser muito desgastante para os professores e os alunos”.
A professora ainda acrescenta que caso a Secretária de Educação não tenha um plano para ser executado quando as aulas retornarem, os prejuízos à saúde mental, tanto dos alunos como de professores, podem ser afetadas. “Se não tivermos nenhuma ação que vise o nosso cansaço mental, teremos prejuízos no processo de ensino aprendizagem”, conclui.

Escolas estão fechadas para reforçar estratégia de isolamento social
EDUCAÇÃO EXCLUDENTE
Seguindo as recomendações da Secretaria de Estado do Maranhão, cerca de 40 professores da rede Estadual de Ensino C.E José Neves de Oliveira e anexos, em Itinga do Maranhão, estão utilizando os mais diversos recursos tecnológicos para dá aulas. A medida foi tomada em razão da situação emergencial de saúde pública causada pela pandemia da COVID-19. A ideia é que cerca dos 1000 alunos matriculados na rede de ensino estadual desenvolva as atividades pedagógicas em casa. Os professores passaram a anexar suas atividades online e a metodologia da aula segue de acordo com o critério de cada um. Para o professor formado em letras, Roberth Christian Cutrim França, que está utilizando plataformas como YouTube, Blog, Site e WhatsApp para dar aula, essa medida visa contribuir para o achatamento da curva de contágio da infecção do novo coronavírus e, por isso, deve ser acatada. “Umas das coisas que impulsionou essa decisão de dar essas aulas agora e não esperar, é justamente a de não prejudicar os alunos em questão de falta de conteúdo, principalmente os dos terceiros ano, porque do meio para o final do ano são esses alunos que prestariam vestibular e seriam prejudicados”, pontua. No Maranhão, em uma pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estática (IBGE), somente 56,1% dos maranhenses tem acesso à internet. O estudante João Victor (nome fictício para preservar anonimato fonte), da rede de ensino do estado, fala que o seu uso com a internet é limitado devido aos dados do seu celular e que as aulas remotas dificultam a vida de quem não é acostumado com tecnologia. “A ideia é legal, mas eu acho que deveria ser pensado mais na gente de lugares mais afastados, lugares com mais dificuldades de ter acesso às redes sem fio para as realizações dessas atividades escolares”, lamenta. A professora de Letras Eronilde Alves comenta que a medida foi uma saída para que o calendário escolar não seja ainda mais afetado pela crise da COVID-19, porém, apesar do engajamento dos alunos que podem participar, a falta de acesso à internet de qualidade é um problema para que as aulas sigam com um bom aproveitamento. “Eles não conseguem entrar na sala e falam que é muito pesado. As aulas consomem muita internet e muitos usam dados móveis, pois não têm wifi". A professora ainda ressalta que para os alunos do turno noturno as dificuldades são ainda maiores, e que recebe reclamações de todas as turmas. “Para os alunos da noite não está sendo proveitoso, nem 50% conseguem participar, são os meninos que trabalham informalmente, são as meninas que são mães, são os senhores do EJA”, completa. Apesar de não existir nenhum caso suspeito pelo novo coronavírus na cidade, o estado do Maranhão registra, até este sábado (11), 398 casos confirmados de pessoas que foram infectadas pela Covid-19 e 24 óbitos causados pela doença.



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